sexta-feira, 7 de agosto de 2020

O valor de dados e informações

 O valor de dados e informações

Por Cristian Welsh Miguens, CMC – Sócio da IRON Consultoria - www.ironconsultoria.com.br

“Na medida em que co-evoluímos com a tecnologia aprendemos que, embora não possamos domesticar o tempo, podemos aumentar exponencialmente o que é possível de se fazer no tempo.

O recurso natural mais valioso do mundo é ...... Dados. O valor dos dados aumenta exponencialmente quando se relacionam de forma inteligente com a tecnologia.”

Dave Copps – CEO / Worlds

Webinar “AI - When is it Coming and What will it Mean” – 11/06/2020

https://www.youtube.com/watch?v=bBXEIR_oF1g

Desde jovem aprendi o valor dos dados e informações.

A primeira questão foi perceber a diferença entre dados e informações. O dado em si não é tão relevante. Torna-se relevante apenas quando diversos dados se inter-relacionam para produzir a informação. A informação adquirida é a que é percebida pelo nosso cérebro e nos permite daí em diante fazer análise, diagnóstico, tomar decisões e só então iniciar a ação.

Aprendi também que este processo é a base da lógica analítica e que tentar encontrar atalhos neste processo é ineficiente e ineficaz. Compreender o processo, entretanto, auxilia muito a melhorar a tomada de decisão e a posterior ação.

Informação é poder?

Descobri ao longo dos anos que a frase “informação é poder” é apenas parcialmente verdadeira. Aqui devemos distinguir duas questões presentes na questão:

a) deve-se “filtrar inicialmente o que é informação do que sejam dados (lembrando que algumas informações obtidas a partir de um conjunto de dados pode transformar-se em dados para o seu processamento e a obtenção de novas informações), possuir boas ferramentas para o processamento dos dados gerando informação útil para os nossos fins e possuir a capacidade intelectual e técnica de compreender corretamente a informação disponível. A experiencia me revelou que esta última condição é “difícil de se achar no mercado” (as inúmeras causas deste fenômeno não serão discutidas neste artigo, mas, certamente, passam pela deficiência nos sistemas de educação, desde a básica até a profissional), e;

b) os fins para os quais é utilizada a informação produzida. A informação produzida e utilizada dentro de padrões éticos e morais, fornece um poder a quem a possui que podemos definir como sendo uma oportunidade de obter “benefício pessoal” ao conferir a tal pessoa um diferencial competitivo. Entretanto, este diferencial torna-se válido aos olhos da sociedade apenas na medida em que acabe contribuindo para gerar valor para toda a sociedade. É a natureza da lógica do “livre mercado” e da meritocracia. Já quando inexistem limites impostos pela ética e a moralidade, a informação pode ser manipulada o que geralmente acontece por sua vez quando se deseja manipular com ela pessoas e grupos de pessoas. Deste fato decorre uma das possibilidades de adquirir poder sobre as pessoas, um poder ilegítimo uma vez que se origina numa fraude, a de manipular dados e informações com o fim de apresentar uma “realidade” falsa. A melhor defesa para quem não quer ser enganado é compreender bem todo o processo de geração da informação, com o objetivo de detectar em que parte dele é que se encontra a fraude (geralmente se trata da omissão de determinados dados e/ou informações adicionais).

Informação e tecnologia

O conhecimento e valor agregado pelo conhecimento adicionado e acumulado ao longo dos séculos é o que promoveu e promove o progresso e a melhoria das condições de vida. O conhecimento e o conhecimento agregado só se produzem na medida em que se tem acesso à informação, que se agrega à informação acumulada, somada à capacidade intelectual e técnica desenvolvida pelos seres humanos, gera inovação que, por sua vez, gera progresso.

O desenvolvimento de tecnologia é parte da evolução e do progresso. Ela é gerada de tal forma que frequentemente confunde-se a relação de causa e efeito ao longo do processo – inicialmente é efeito ou consequência desse progresso para, então, tornar-se elemento chave para a geração de novos desenvolvimentos.

O desenvolvimento tecnológico e o progresso são e se se confundem frequentemente também com o que chamamos de mudança, ou seja, quando o presente deixa de ser igual ao passado que esperávamos, com base na lógica ou apenas na percepção intuitiva, e nos defrontamos então com um novo futuro para o qual não temos certeza se estamos preparados a enfrentar pois, naturalmente, por ser novo, nos faltam ainda dados e informações para interpreta-lo adequadamente (as reações das pessoas provocadas por esta incerteza ou, se preferirem, este sentimento, não serão discutidas neste artigo mas, pela importância deste fenômeno no processo de gestão, acrescento que dá origem a um processo e a uma metodologia que visa minimizar os efeitos destas reações adversas diante da mudança chamado de “Gestão da Mudança”. Trataremos disto em momento oportuno).

A nossa realidade indica que o processo de mudança continua a acelerar-se. O vetor catalizador é geralmente identificado como sendo a capacidade que adquirimos de capturar e armazenar dados assim como a velocidade em que conseguimos processá-los, ou seja, o enorme volume de novas informações a que temos acesso. Destas afirmações se derivam e contribuem a dar sentido às duas frases citadas no início deste artigo.

Esclarecendo: precisamos aprender e compreender que hoje temos condições – oportunidade – de fazer muito mais que no passado na mesma quantidade de tempo pois não precisamos gastar tanto tempo em “ir atrás” de dados novos nem de “processar esses dados” manualmente. A tecnologia atingiu tal grau de desenvolvimento que isto é o que ela nos oferece de vantajoso. Também precisamos aprender e compreender que esta tecnologia não trará benefícios por si só, mas que precisamos “domestica-la” de forma inteligente (ação humana) para que gere valor real à sociedade. A consequência lógica destas afirmações é que precisamos desenvolver e adquirir novas competências específicas para lidar com este fato e com a sua aceleração, potencializando os seus benefícios e nos prevenindo dos seus perigos inerentes, como já mencionamos.

Impactos na gestão

Quem for capaz de adquirir estas competências e aproveitar as oportunidades que a tecnologia já desenvolvida nos oferece será capaz de adquirir uma vantagem competitiva relevante a baixíssimo custo. Isto é gestão. Isto, adquirir tais competências e então tornar possível usufruir dos benefícios que esta oportunidade nos apresenta, faz parte do processo de gestão do negócio. Porque então os pequenos e médios negócios apresentam baixa penetração na utilização de tecnologias da informação (TI) se elas podem trazer tantos benefícios, como estamos afirmando?

Algumas das possíveis causas é o desconhecimento e a falta de preparo para lidar com elas; uma percepção de que elas ainda são muito caras como para justificar o investimento, ou, ainda; a falta de uma correta percepção das oportunidades e dos benefícios decorrentes que estas tecnologias apresentam nos dias de hoje.

O curso “Métodos de Análise e Solução de Problemas” da IRON Consultoria, aborda e apresenta mecanismos – técnicas e metodologias – que devem auxiliar o empresário e o executivo a avaliar melhor este problema, um dos mais relevantes para a gestão de negócios na atualidade, assim como outros tipos de problemas. No curso também abordamos as técnicas e aplicativos de TI disponíveis, desmistificando alguns conceitos que impedem que as empresas, não só as pequenas  e médias mas também aquelas que tentam aprimorar a digitalização dos seus processos, aprofundem o seu uso usufruindo de todas as suas vantagens. Para mais informações e inscrição acesse https://www.ironconsultoria.com.br/produto/metodos-de-analise-e-solucao-de-problemas/ .

Ficarei honrado com a sua presença. Até lá.

domingo, 26 de julho de 2020

Democracia, Racismo e Inovação

Democracia, racismo e inovação
Por Cristian Welsh Miguens, CMC

Read the english version of this article in https://www.cmc-global.org/content/democracy-racism-and-innovation

Tempos estranhos que estamos vivendo hoje em dia! 
Ter que lidar com uma pandemia e seus efeitos prejudiciais parece não ser suficiente, agora temos que nos acostumar também à agitação social.

O fato de comícios recentes e manifestações públicas se transformarem facilmente em uma turba não é o motivo que mais chamou a minha atenção pois isto pode ser esperado quando houver um verdadeiro descontentamento generalizado.  Também não foram seus supostos propósitos e ideais visto que a maioria de nós os apoiaria. O problema são as suas propostas, porque não tratam do problema, simplesmente apontam para alguém para ser culpado e depois punido e / ou exigem privilégios para si mesmos, negando-os àqueles aos quais se opõem no momento.

Aqueles que afirmam defender a democracia e seus princípios propõem medidas antidemocráticas, principalmente reduzindo as liberdades. Aqueles que afirmam estar combatendo o racismo, a intolerância e a discriminação, simplesmente propõem que os privilégios que caracterizam tais situações mudem de mãos, sem entender que estão tornando-se tão racistas, intolerantes e discriminatórios quanto aqueles aos quais se opõem, mas com sinal oposto.

Poderíamos discutir as consequências de tal comportamento sob um ponto de vista sociológico, psicológico ou ideológico. Este não é o lugar para fazê-lo, embora considero que deveria haver mais conteúdo público sendo produzido sobre esses assuntos. Minha proposta é analisar esse fenômeno à luz da gestão de negócios e da promoção de melhores práticas em gestão de negócios e nos ambientes de influência destes, melhorando a geração de valor, a melhoria da produtividade, o desenvolvimento social e econômico, em suma, promovendo o progresso.

Usando o livro de Andrés Oppenheimer “Innovate or Die! : How to Reinvent Yourself and Thrive in the INNOVATION Age” (edição em inglês) ou “Como se reinventar e prosperar na era da inovação” e sua conclusão como referência, ele afirma que, embora a inovação seja uma questão-chave para o desenvolvimento e aprimoramento social futuros, ela está intimamente ligada e é produzida principalmente em ambientes que de alguma forma apoiam e estimulam a diversidade.

Para começar, a criação de ambientes que estimulam a diversidade é o oposto de promover uma mudança de privilégios de um lado para o outro. Tem a ver com a eliminação de privilégios e com ações e controles que previnam a reinstalação dos mesmos, não apenas através de regulamentos, leis, projetos de lei ou qualquer outro instrumento, mas através de ações e exemplos reais, especialmente daqueles “influenciadores” (em linguagem de gerenciamento, líderes) que são valorizados, admirados e seguidos .

A segunda questão a ser levada em consideração é o que Moisés Naím, autor e editor de artigos venezuelano, escreveu em seu livro “The End of Power: From Boardrooms to Battlefields and Churches to States, Why Being In Charge Isn't What It Used to Be”  ou “ O Fim do Poder: desde os Conselhos de Administração até o chão de fábrica e desde as igrejas até os Estados, por que estar no comando não é o que costumava ser ”, em 2013. O poder e a forma em que ele é usado são essenciais ao considerar o processo de tomada de decisão que leva a uma ação proativa. O que Naím tenta mostrar é que, embora pessoas e instituições poderosas, ou pelo menos aquelas amplamente aceitas como tendo esse poder, continuem tendo muito poder, a internet e as mídias sociais estão causando uma redistribuição de poder, reduzindo lenta mas sistematicamente o poder real mantido nas mãos daqueles que ainda percebemos como poderosos. Isso também é verdade dentro das empresas.

A terceira e última questão que gostaria de considerar neste artigo é o que é que empresários e consultores devem fazer para promover a inovação e o progresso nas organizações. À luz do que escrevi acima, deveria ser encontrar meios de criar ambientes nos quais a diversidade desempenha um papel principal. Apoiar esses ambientes e seu desenvolvimento é uma tarefa extremamente difícil. 

Embora a digitalização, uma agenda presente nas organizações há pelo menos cinco anos, já estivesse em andamento, descentralizando a tomada de decisões, aproximando clientes, outras partes interessadas e organizações, nenhuma das soluções propostas aborda especificamente a necessidade de criar um ambiente de diversidade dentro delas. 

Algumas pessoas podem dizer que é tarde demais, que criar esses ambientes não apenas não é suficiente, mas que também aumentará a quantidade de conflitos e a agitação social. Eles argumentarão apontando para o fato de que é inútil que as pessoas se envolvam em discussões simplesmente porque as pessoas não têm a mente o suficientemente aberta como para poder mudar de ideia. Eles também apontam para o fato de que hoje em dia as pessoas se reúnem apenas com pessoas que pensam igual a elas mesmas e que esse comportamento criou uma polarização real na sociedade. Eu ainda acredito que esses fatos não são definitivos.

Para criar ambientes que abracem a diversidade, onde a discussão e os argumentos contrastantes seriam a regra, é necessária uma mudança nas atitudes das pessoas. Não apenas o respeito à opinião um do outro deve ser estimulado, ele também deve ser protegido; educar as pessoas a entenderem que a opinião não é apenas o que cada um gosta, mas que deve basear-se em conhecimento e pesquisa; discussões consomem tempo, então o tempo gasto em discussões deve ser tolerado; um debate tem regras - as pessoas devem ser educadas sobre essas regras, nunca permitindo que uma discussão se desvie para ataques pessoais; surgirão divergências - os líderes da organização devem estabelecer regras para lidar com tais divergências; os líderes perderão poder - eles devem se perguntar se estão prontos para ceder esse poder; por último mas não menos importante, chegar a um consenso não é o objetivo - fazer uma maioria dentro de certa quantidade de pessoas não significa que eles estarão sempre certos, então, quais serão os instrumentos e regras a ser usados para orientar as discussões e a tomada de decisão final?

Argumentar constantemente também não é o jeito certo para se lidar com questões e tarefas específicas. Isso significa que, em algum momento durante uma discussão, alguém poderá intervir e fazer com que a equipe aceite uma decisão final e comece a trabalhar no problema. Essa cultura não será alcançada imediatamente. É um processo de desenvolvimento e construção de confiança dentro da equipe. 

Outra questão a ser abordada é como a melhoria será medida? Deve ser medido de alguma forma.

Em um mundo complexo, a inovação fará a diferença. A inovação, para acontecer, precisa de ambientes que abracem a diversidade, com regras para disciplinar as interações e o engajamento das pessoas. A hierarquia e a autoridade como instrumento exclusivo de tomada de decisão não são mais suficientemente eficazes por si só. Ainda não temos um acordo geral sobre um novo modelo para substituí-lo, o que significa que será necessário criar novos modelos. A mudança hoje em dia tornou-se uma necessidade.

Os consultores devem engajar-se nesse esforço. Os consultores têm chances de experimentar novas soluções. Os consultores têm oportunidades e habilidades específicas para fazer a diferença e transformar as organizações para, depois, transformar a sociedade. Espero que possamos vivenciar esse desafio.

 

https://www.linkedin.com/pulse/democracia-racismo-e-inova%25C3%25A7%25C3%25A3o-cristian-welsh-miguens

quinta-feira, 4 de junho de 2020

4 de Junho - Dia Internacional do Consultor de Organização 2020

Homenagem a todos os Consultores de Organização pelo seu dia

A Consultoria de Organização é uma profissão. Por não ser regulamentada – e defendo veementemente que continue assim – há dificuldade para o público geral entender esta atividade como uma profissão. Temos Consultores de Organização Administradores, Engenheiros, Médicos, Advogados, Contadores, Economistas, Psicólogos e uma incontável quantidade de outras categorias profissionais, e cada um deles na sua especialização, de alguma forma, contribuem, quando abraçam esta profissão, para melhorar a produtividade e as condições de trabalho dos seus clientes.
A Consultoria de Organização profissional tem padrões e standards específicos. O ICMCI / CMC Global em parceria com seus institutos nacionais membros, têm materializado estes padrões em um Corpo de Conhecimento da profissão (CBK), um Modelo de Competências e uma Norma ISO ( ISO/IEC 20700:2017). Em resumo, não basta ser um especialista e ter conhecimentos específicos da sua área de atuação. A interação com os clientes e as condições para atende-los profissionalmente requer que se desenvolvam competências específicas para o exercício desta profissão. Estes padrões sustentam a certificação internacional do ICMCI / CMC Global Certified Management Consultant, CMC, que identifica o Mais Alto Padrão de Consultoria Mundial.
Desde os anos 90, a Internet, o desenvolvimento das Telecomunicações, a crise de 2008, entre outras causas, e agora a pandemia do COVID-19, transformaram e transformam o atividade empresarial, com reflexos importantes tanto na forma como no conteúdo da prestação do serviços de Consultoria de Organização. A era digital impõe às empresas profundas mudanças, a que elas se resistem, incluindo as consultorias e os consultores. A noção clara, adquirida no decorrer destes últimos 20 anos de vivência no mundo dos negócios, que não somos mais autossuficientes será testada no período pós pandemia pois, tudo indica, as empresas e os países tendem a criar políticas isolacionistas. A revisão de propósitos, o compartilhamento de talentos, a sociedade em rede e a necessidade de inovar profundamente tanto a forma de fazer negócios, quanto a forma de gerir negócios e a forma de integrar pessoas serão desafios a serem enfrentados pelos gestores mas, fundamentalmente, desafiarão fortemente os Consultores de Organização, sem distinção de especialidade ou de tamanho. A “indústria” da Consultoria precisará de ambientes heterogêneos de discussão e análise de problemas críticos que as empresas enfrentarão se quiser entregar soluções criativas e inovadoras aos stakeholders, que são representados genericamente pela “sociedade”, para dar continuidade ao progresso a que nos acostumamos.
É nesta hora que qualquer Consultor de Organização deverá contar com uma rede internacional de relacionamentos de alto padrão profissional, com instrumentos específicos para promover a interação, que promova a troca de experiencias, a discussão sobre possíveis diagnósticos, o acesso a novas ferramentas e o raciocínio criativo. O ICMCI / CMC-Global e os institutos que o integram, demonstram-se especialmente aptos, pela sua cultura e pela sua competência, para conduzir esta tarefa, institucionalmente, integrando as mentes de grandes, médias e pequenas organizações de consultoria, assim como com consultores autônomos, os Provedores de Serviço de Consultoria de que tanto fala a norma ISO 20700: 2017.
Nossos clientes são a razão de ser do nosso trabalho como Consultores de Organização. São eles que geram valor e riqueza para a sociedade. Nós apenas auxiliamos no seu desenvolvimento e em catalisar os seus esforços para obter os seus resultados almejados. Se fizermos o nosso trabalho bem feito, seremos recompensados e enriqueceremos junto com eles. Se eles falharem, nós teremos falhado também.
Então, ao cumprimentar e congratular os meus colegas, que abraçam esta profissão da qual sempre me orgulhei em exercer, cumprimento de maneira especial também todos os nossos clientes, por terem a ousadia de nos permitirem entrar nas suas casas e nos dar espaço para lhes fornecer ajuda.

Cristian Welsh Miguens, CMC
Sócio Diretor da IRON Consultoria
Conselheiro do IBCO

Membro do QAC e do Finance Committee do ICMCI / CMC-Global

sábado, 25 de agosto de 2018

Um pouco sobre política e o voto

Um pouco sobre política e o voto
Por Cristian Welsh Miguens – 24 de agosto de 2018
Há diversas formas de interpretar o que seja “a política”.
Tem-se, por exemplo, “a política de qualidade da empresa”. Neste caso, política significa uma série de regras e orientações que tem por objetivo facilitar o trabalho de todos os funcionários, especialmente quando eles devem tomar decisões, pois eles sabem que tais decisões devem seguir as regras e orientações da tal “política de qualidade”. Chamo a atenção para o termo decisão. Pode-se inferir que se trata de “grandes decisões”. Neste caso estamos falando também de pequenas decisões, do tipo “como comprimento um cliente que acabou de entrar na loja?” ou “como embrulho uma mercadoria que um cliente acabou de comprar?”. Todas as nossas ações no trabalho envolvem decisões constantes e estas são orientadas pelas tais “políticas”
O termo política também é usado no sentido de que “nós devemos ser políticos ao falar com ... ”. Neste caso, política significa ser cuidadoso na escolha de palavras e no que é que eu vou dizer a determinadas pessoas. Aqui há muita confusão na interpretação. Toda vez que se conversa com alguém ou com um grupo de pessoas, se deseja transmitir uma mensagem. Tomar cuidado na escolha das palavras para ser corretamente compreendido evitando ofender ou de alguma forma dar margem a interpretações diferentes daquela que de fato se deseja transmitir é totalmente diferente de mentir ou enganar para obter um determinado resultado. Isto último é a deturpação da política. Lamentavelmente esta última forma de interpretar “nós devemos ser políticos ao falar com ..... ”  é a interpretação que mais se percebe empregada pelas pessoas.
Já “a política” é o ambiente e as relações que surgem nesse ambiente, que envolvem os representantes que nos governam. Em geral, nas democracias, estamos falando de pessoas dos poderes Executivo (de executar, fazer as coisas acontecer) e Legislativo (legislar, criar leis e regras que orientem o comportamento das pessoas em sociedade), ou seja, pessoas eleitas por meio do voto com o objetivo de agirem em representação das pessoas (o povo). Tais pessoas são chamadas de políticos.
Os políticos, por atuar em representação do povo, deveriam estar dispostos a sempre agir conforme alguns critérios básicos:
a)     Como as suas ações geram normas e “políticas” que impactam e interferem na ação e nas decisões que as pessoas tomam individualmente, as soluções desenvolvidas pelos políticos deveriam interferir o mínimo possível na vida das pessoas. Afinal de contas, ninguém gosta que outros tomem decisões por eles ou lhes sejam impostas restrições ao exercício da própria liberdade. Invadir a ceara da decisão individual o mínimo possível deveria ser preocupação permanente dos políticos;
b)    Deveriam sempre desenvolver soluções “gerais”, sem privilegiar ninguém em particular;
c)     Nunca devem por os próprios interesses pessoais à frente dos interesses dos seus representados;
d)    O trabalho exige negociação permanente. Negociar significa reconhecer que nem todos concordam comigo, que nem todos tem o mesmo objetivo e que, portanto, devo estar preparado a ceder algo para poder chegar a um acordo. O respeito mútuo é indispensável.
Em uma democracia não há soluções possíveis sem política e sem políticos. Por mais desacreditados que os nossos políticos estejam, deve-se reconhecer que, se eles não atendem às nossas expectativas, a culpa é nossa em primeiro lugar e somente depois é deles. Afinal de contas nós os escolhemos.
O mais inacreditável de toda esta história é que distorcemos em nossas mentes o que o político deveria ser. Exige-se dele que “nos beneficie” e a partir disso pretendemos que ele consiga alguns “privilégios” para nós.
Como é que um político deveria raciocinar ao legislar ou ao administrar algum órgão do executivo? Este é o tema central deste artigo na medida em que sugere um mecanismo de avaliar o discurso dos diversos políticos em épocas de eleição.
Qualquer coisa que exija que seja desenvolvida uma solução, chamaremos daqui em diante, de “problema”. Então, a primeira coisa a ser feita é definir corretamente o problema. A maior dificuldade aqui é não confundir “sintomas” com a verdadeira causa. Um problema se manifesta gerando sintomas. Resolver apenas o sintoma nem sempre resolve o problema. Um problema mal definido necessariamente gerará soluções erradas e consequentemente desperdício de recursos.
Com o problema bem definido, deve-se então empenhar esforços para fazer um diagnóstico. Um diagnóstico é o resultado de uma pesquisa e a respectiva análise das possíveis causas do problema. Fazer um bom diagnóstico requer ter conhecimentos e competências específicas com a questão que se deseja diagnosticar. Novamente, fazer um diagnóstico errado gerará soluções erradas e consequentemente desperdício de recursos.
Com o diagnóstico em mãos deve-se começar a procurar a solução do problema. Nem sempre será possível propor a solução ideal, pois esta pode não ser a melhor solução para as condições particulares do problema. Pode faltar dinheiro, domínio da tecnologia, não ter a disposição pessoas devidamente preparadas ou então diversos outros motivos que limitem o tipo de solução a ser adotada. Uma solução equivocada gerará soluções erradas e consequentemente desperdício de recursos.
Com a solução escolhida em mãos só está resolvido “o que” deve ser feito. Falta definir “como” será aplicada a solução escolhida. O “como“ envolve planejar. Quais serão as etapas, quem fará cada etapa, quantas pessoas serão necessárias para executar cada etapa, qual a qualificação dessas pessoas, como se fará a comunicação do que deve ser feito, que outros recursos serão necessários em cada etapa, quanto custará e assim por diante. Também se deve definir uma meta e uma ou várias formas de medir se a execução da solução está acontecendo de acordo com o planejado e se a meta está sendo atingida. Uma solução com um mal planejamento gerará soluções erradas e consequentemente desperdício de recursos.
Agora que já se possui “o que” e “como”, deve-se executar. A execução envolve controlar se a solução escolhida está sendo executada conforme planejado e se os resultados que se esperam em cada etapa da implantação de fato estão acontecendo. A avaliação dos resultados exige que se tomem decisões e correções de rumo (ações corretivas) e para tanto deve ter pessoas qualificadas e com a autoridade suficiente para tomar essas decisões rapidamente para não comprometer os resultados. Uma execução mal feita não permitirá que a solução escolhida seja aplicada corretamente e consequentemente gerará desperdício de recursos.
Como podemos observar diariamente e dentro do escopo do discutido acima, um dos sérios problemas do Estado Brasileiro, por causa dos seus governantes e dos políticos que elegemos, em função da sua mediocridade, desfaçatez e desonestidade, é que os recursos a disposição deles e que são retirados da sociedade na forma de taxas e impostos são consistente e sistematicamente desperdiçados ao se definir o problema de forma errada, ao diagnosticar confundindo sintomas com causas, ao planejar sem definir corretamente as alternativas e ao executar sem definir metas nem controlar adequadamente a execução de acordo com tais metas.
Na vida real, quando os políticos propõem soluções para a segurança pública, a educação, a saúde pública ou qualquer outro problema, misturam todos estes conceitos. São discutidas possíveis soluções sem ter definido previamente qual é o problema (por exemplo, dizer que a segurança pública é um problema não é suficiente, é necessário definir quais os aspectos da segurança pública que são o problema) nem especificar um diagnóstico (quais as verdadeiras causas do problema). Poucos investem esforços em descrever como conseguirão executar a solução proposta. As propostas de solução então ficam vazias.
Nas críticas ao que já foi feito pelos adversários, não se fala sobre onde é que se errou, se na identificação do problema, se no diagnóstico feito, se na solução escolhida ou ainda se a execução se deu de forma errada. Misturam-se tudo e todo, muitas vezes de forma proposital.
Um dos motivos que nos leva a adotarmos o sistema de partidos políticos é que estes deveriam definir programas de governo onde estas questões sejam desenvolvidas e propostas de forma pública. Seus filiados e candidatos deveriam comprometer-se com tais programas e a população deveria acompanhar se de fato há empenho em executar tal programa. A realidade é que a maior parte dos programas de governo dos partidos limita-se a uma declaração de intenções do que a desenvolver respostas detalhadas aos grandes problemas nacionais. Também é verdade que a população, desinteressada, não controla nem exige esta coerência dos políticos.
Não basta querer resolver os problemas. É necessário também ter competência para identificar, diagnosticar, propor soluções viáveis e implantar tais soluções, prestando contas dos resultados obtidos.
Diante de um eventual candidato a um cargo legislativo ou do executivo, o eleitor deveria poder fazer perguntas que lhe permitam identificar se estão de acordo com a análise e a proposta do candidato para determinado problema, qual o seu diagnóstico, que soluções propõe e como as implantará. Como o eleitor não tem oportunidade de questionar isto diretamente caberia aos jornalistas e à mídia em geral fazer estes questionamentos. O que verificamos é que também aqui comprovamos a mediocridade e eventualmente até o conluio destes profissionais com políticos desonestos.
Cabe a cada um de nós tomarmos a decisão de se deixaremos sermos enganados por propostas vazias o se tentaremos, empregando os meios a seu alcance, pesquisar profundamente tentando identificar tais detalhes, questionando quando possível e tomado uma decisão eleitoral consciente.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Reflexões Sobre o Emprego


Reflexões sobre o emprego
Por: Cristian Welsh Miguens
15/08/2018

Há muita gente apreensiva e gerando um clima de incerteza generalizado por causa da destruição de empregos. Há motivos para tanto alvoroço?
O assunto é especialmente sensível, pois se refere aos mecanismos de sobrevivência das famílias. Por esse mesmo motivo, faz parte do discurso político de demagogos e populistas. Vamos tentar então fugir do lugar comum.
Em primeiro lugar, não sei se repararam, mas não está sendo usada a palavra “redução” ou “falta” de empregos, mas o termo “destruição”. Embora o efeito seja similar, falta de emprego para as pessoas ter renda para sustentar a família, as pessoas estão acostumadas aos ciclos de aumento e redução de empregos acompanhando a evolução do desempenho da economia do país. Já a nova forma de se referir à falta de emprego, a “destruição” de empregos, remete os nossos cérebros a imaginar que uma vez que determinados empregos foram destruídos, eles não retornarão mais. Estamos mesmo diante desta situação?
Sem dúvida que um dos motivos do desemprego no Brasil é a baixa atividade econômica. Não passamos por uma recessão do tamanho da Brasileira (em torno de 10% de redução acumulada de 2013 para cá) sem pagar o preço em empregos. Se fossemos uma economia mais aberta e sem um “salário mínimo”, que distorce as relações de emprego, o desemprego causado pela queda de atividade econômica poderia ter um impacto bem menor, com o ajuste então acontecendo por meio da redução do valor médio do salário.
Também devemos levar em consideração que outra parcela do desemprego total é uma taxa estrutural, reflexo da rotatividade de empregos e do tempo que demora uma pessoa que perde o emprego para iniciar-se em outro. Essa taxa para o Brasil oscila entre 4 e 5%.
A realidade Brasileira indica também que a maior parte da taxa de desemprego, que gira em torno de 13%, se deve a estes dois motivos. Entretanto, diversos meios de comunicação e imprensa abordam o tema dando a entender que a “destruição” de empregos se deve ao aumento do uso da tecnologia, à robotização, ao uso da Inteligência Artificial (AI), enfim, à tecnologia aplicada que estaria “destruindo” empregos enquanto esta situação estaria demandando mão-de-obra mais qualificada, da qual não dispomos, projetando cenários de catástrofe para o futuro próximo.
A realidade Brasileira também indica que estamos longe deste cenário. O cenário que devemos projetar é de negócios com baixa produtividade e baixa competitividade. Isto sim. O grau de informatização e de automação, tanto na indústria como no setor de serviços, é tão baixo que o uso de tecnologia ainda não trará reflexos no desemprego. O baixo grau de concorrência da nossa economia, devido à proteção e intervenção do Estado, não propicia o uso intensivo da TI para melhorar a competitividade. Investimentos nesta área são vistos pelos empresários como “despesas” que devem ser evitadas em momento de crise e não como investimentos a serem realizados procurando melhorar a produtividade e a competitividade.
Mesmo assim, me chamou a atenção a divulgação de pesquisa recente feita pelo SPC Brasil e a CNDC, revelando que quase dois terços da população Brasileira está recorrendo a bicos para poder sobreviver. Soma-se a este tipo de pesquisa outras que apontam que o aumento de empreendimentos novos (startups) se explicam pela necessidade dos empreendedores de procurar novas fontes de renda em função das dificuldades de acharem novas oportunidades de emprego. Estes dados podem sim ser indicativos de uma mudança, já esperada, na natureza e na forma das relações de emprego.
A terceirização, o emprego temporário, e outras formas de relacionamento trabalhista, já contempladas na Reforma Trabalhista em vigor, são mecanismos sob os quais está desenvolvendo-se uma mecânica de contratação e execução de atividades comerciais promovida em grande medida pela utilização de smartfones, internet e APPs. A lógica de contratação em que um salário era pago em troca do tempo disponibilizado pelo empregado ao empregador, regulamentado em lei (44 horas semanais), dá lugar à contratação por resultados por tempo determinado (trabalho por demanda). Esta é uma mudança e tanto que, se e quando difundida de forma profunda e ampla na sociedade, trará enormes resultados e benefícios, com melhorias de produtividade acentuadas. A meritocracia está encontrando uma forma de fugir da tutela do Estado e, sem amarras, então produzir e ser remunerado de acordo com as próprias competências e de forma proporcional aos resultados obtidos.
É claro que as pessoas que desejam preservar o “status quo” (governo, sindicatos, empregados públicos e os medíocres de plantão) vão espernear e tergiversar com argumentos cuja única finalidade é a preservação de privilégios a determinadas “castas” contempladas pelos donos do poder.
Há ainda mais um fator a destacar com relação às opiniões referentes à destruição de empregos. Toda vez que se fala em aumento de produtividade surge a frase, ou parecida, que “ ... há um custo social decorrente, a perda de empregos”. Estes analistas “esquecem” que o aumento de atividade econômica promovida pelo aumento de produtividade e o desenvolvimento, emprego e comercialização da tecnologia aplicada em cada caso, criam novos empregos, no comércio, na indústria e nas áreas de prestação de serviços, que nunca são contabilizados nessas horas.
As pesquisas sobre o emprego e os diagnósticos decorrentes da análise de tais pesquisas não levam em consideração ainda estes fenômenos, portanto, não sabemos até que ponto este novo “ambiente trabalhista” esteja alastrando-se no mercado. Aos estrategistas, tanto aqueles ligados ao poder público quanto aqueles que decidem os rumos dos negócios no setor privado, cabe agora se debruçar em dados disponíveis para levar ou não em consideração esta nova hipótese, sob o risco de errarem calamitosamente as suas projeções baseadas em premissas relacionadas com o emprego.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Reflexões sobre a Indústria 4.0

Reflexões sobre a Indústria 4.0
23 de julho de 2018
Por Cristian Welsh Miguens

O termo indústria 4.0 teve origem na Feira de Hannover, Alemanha, em 2011. Trata-se de uma lógica de produção que engloba inovações nos campos da automação, controle e tecnologia da informação a serem aplicadas de modo integrado aos processos de manufatura.
Aprofundando um pouco mais a questão da tecnologia que embaça este conceito, as tecnologias que alteram fundamentalmente a forma de produzir, de fazer negócios e de consumir são a velha e conhecida automação industrial, a mobilidade, fornecida pelo acesso à internet pelos dispositivos móveis (smartphones), o M2M (comunicação machine to machine – a capacidade de máquinas e equipamentos de “conversar” entre si sem a intervenção humana) e a Inteligência Artificial. Há mais uma tecnologia que ainda não se incorporou maciçamente à Indústria 4.0, mas já se mostra relevante em algumas indústrias de forma pontual: a impressão 3D.
A mudança gera medo e preocupações, muitas vezes justificadas. Entretanto este medo pode levar a uma supervalorização das avaliações sobre os impactos negativos no ordenamento social. Neste momento, a maior preocupação pública, se levarmos em consideração os artigos e publicações que proliferam sobre esta questão, são dois: a destruição de empregos e a capacitação das pessoas para desenvolver as novas competências requeridas para lidar com as novas tecnologias. Nada muito diferente do que aconteceu no início da Revolução Industrial.
A Indústria 4.0 é benvinda. O uso e o aproveitamento ao máximo das novas tecnologias permite gerar riqueza, na forma de melhoria da produtividade, ao consumir menos recursos de mão-de-obra, conseguir produzir mais rápido e com menos desperdícios de materiais e de tempo. Como toda inovação deste tipo gerará inicialmente desemprego. Se for permitido às forças de mercado agir livremente, em pouco tempo este aumento de produtividade gerará nova demanda que permitirá que o desemprego diminua rapidamente.
A maior fonte de melhoria de produtividade, entretanto não se encontra nesta “redução de custo” da mão-de-obra envolvida na produção de bens, mas na liberação de capacidade pensante para desenvolver e acrescer a oferta de novos e melhores serviços, explorando as oportunidades fornecidas pelo acesso a estas novas tecnologias. Este fenômeno já foi vivenciado em tempos recentes por ocasião da automação de escritórios (décadas de 70 e 80), pelo processamento distribuído e as redes de informação gerando a proliferação de programas de gestão integrada nas empresas (ERP, CRM, WMS, etc.) (no fim dos anos 80 e nos anos 90) e a internet com o desenvolvimento e o impacto das mídias sociais.
Não é por acaso então que entre 70 e 75% do PIB mundial hoje em dia se concentra no setor de serviços. A primordial fonte de geração de riqueza na atualidade deixou de ser a produção de bens, mas a produção de serviços por meio do uso do conhecimento acumulado e compartilhado promovido pelas novas tecnologias de informação e comunicação.
Também é natural que a tecnologia representada pela Indústria 4.0 tenha seus impactos mais relevantes naqueles países em que a “pirâmide demográfica” tem sofrido alterações profundas, com uma redução de população geral e mais ainda com uma redução da população economicamente ativa. Houve nestas sociedades uma necessidade de substituir o trabalho humano pelo trabalho das máquinas. As oportunidades para este desenvolvimento surgiram naturalmente. Não é por acaso também que são estas sociedades as que geram oportunidades para imigrantes dispostos a, inicialmente, executar as atividades e tarefas que requerem menos qualificações e que gerarão, uma ou duas gerações depois, novos cidadãos aptos e qualificados, promovendo a devida ascensão social.
O Brasil não corre o risco inerente à implantação desta lógica de produção, pois nem a infraestrutura necessária para o seu funcionamento tem. Alguns exemplos: baixíssima velocidade das redes de banda larga; impossibilidade de instalação de novas antenas e ERBs para atender o aumento do fluxo de dados, devido a questões regulatórias e ambientais; impostos escorchantes que inviabilizam os investimentos; ação sindical que trava a substituição de mão-de-obra por máquinas; etc.
Estamos então condenados à desindustrialização e a forçar a população a financiar um custo elevadíssimo para ter acesso aos bens que gostaria de ter, o que significa que a distância que nos separa das sociedades mais desenvolvidas não só não será reduzida, mas se alargará.
Isto não é uma declaração pessimista. Isto é a constatação de que a nossa sociedade ainda não está disposta a fazer o que precisa para virar a mesa e iniciar o seu crescimento e progresso sustentável. Vivemos presos a conceitos e ideologias ultrapassadas que, em teoria “defendem a dignidade humana”, mas que tem como consequência e efeito a perda da “dignidade humana”. Ao invés de valorizar o ser humano e fazer das diferenças um estímulo para o progresso geral, menosprezamos a capacidade dos indivíduos e então, sob o argumento de que não serão capazes de defender-se, os submetemos à tutela do Estado. O resultado é a nossa realidade. Se for isto o que você quer, então vamos continuar a dar murro em ponta de faca e procurar novos culpados para a nossa própria incompetência.
E para aqueles que vislumbram apenas cenários catastrofistas decorrentes do “império das máquinas” tornando as pessoas em uma espécie de “escravos” das máquinas, o que está acontecendo é que as pessoas, seus cérebros, seus conhecimentos são cada vez mais importantes no desenvolvimento de soluções que promovem o progresso. Ao invés de o ser humano perder relevância na construção do progresso vejo exatamente o contrário: as pessoas e os indivíduos, cada indivíduo, pode e faz cada vez mais a diferença.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Como administrar uma startup para que dê o resultado esperado?

As pistas de que sua startup não terá o resultado esperado?

O seguinte artigo teve origem numa dúvida encaminhada por um leitor para a redação da EXAME.COM: Como administrar uma startup para que dê o resultado esperado?
http://exame.abril.com.br/pme/pistas-sua-startup-nao-tera-resultado/
Editado por Mariana Desidério, de EXAME.com - Publicado em 18 de Outubro de 2016

Por Cristian Welsh Miguens – Univ. Anhembi Morumbi para EXAME.com

Antes de responder a pergunta, vamos ver quais os motivos pelos quais uma startup pode não apresentar o resultado esperado.
a)    Ausência de planejamento;
b)    Planejamento mal feito;
c)    Implementação do Planejamento mal executado;
d)    Acreditar que o Plano não precisa de alterações na medida em que vai sendo implantado e executado.
Da lista acima concluímos que a primeira questão é planejar de forma adequada. Em geral temos uma ideia errada do que seja planejamento. Um bom Plano nos ajuda a não perder de vista os objetivos e metas e os meios para atingi-los. Obriga a fazer um exercício mental sobre todos os detalhes do negócio.
O Planejamento engessa as decisões apenas se o empreendedor permitir. Se se verifica algum erro, se mudam as premissas, se aparece um fato novo, é preciso mudar o plano e ajustar as ações para adequar o negócio e a execução do plano à realidade. Este ciclo, o de planejar, definir um plano de ação, executar o plano, verificar se ele se desenvolve conforme esperado, corrigir o plano e reiniciar o ciclo é a metodologia PDCA (Plan, Do, Check, Action). Pode obter mais detalhes consultando na internet Métodos de Análise e Solução de Problemas (MASP). A metodologia é simples e de fácil compreensão. Já a sua execução, requer muita disciplina.
Um erro comum cometido na gestão da startup é o de esquecer e deixar de ouvir o cliente. Permita o cliente (ou o potencial cliente) a lhe ajudar ouvindo as queixas e sugestões. Incentive-o a permanentemente ficar em contato com a empresa. Desenvolva mecanismos que facilitem esse contato. Vai se surpreender com a qualidade e boa vontade das pessoas para lhe ajudar a resolver os problemas da empresa e, ainda, de graça!!!!
O outro erro comum e esquecer-se que você terá concorrentes e que eles não ficarão quietos observando o seu sucesso. Tente sempre antecipar-se. Inclua nas premissas que servirão de base aos seus planos que a cada ação diferenciada sua haverá algum tipo de reação dos concorrentes. Planeje como os enfrentará. Durante a execução, monitore os concorrentes e as suas ações. Então, mais uma vez adeque o plano.
Nenhum empreendedor precisa ser um especialista em administração. Mas os problemas de administrativos e de gestão, muitas vezes, precisam de especialistas. Empreendedores em geral conhecem muito bem o produto e o seu mercado. Mas tem enormes problemas com a administração geral do negócio, com a administração de pessoas, com a aplicação e o cumprimento da legislação e, muitas vezes, com a gestão financeira. Deixe o orgulho de lado e peça ajuda. Se acreditar que seu negócio não comporta pagar por esse tipo de ajuda, sugira pagar por resultado. Não seja ganancioso, compartilhe o resultado da criação de valor do seu negócio com quem lhe ajuda a gerar esse valor.
E, se for solicitar ajuda, lembre que o barato sai caro. Procure profissionais competentes. Solicite deles boas referencias. Procure contato com quem já se utilizou dos serviços desse profissional. Se você não consegue desenvolver um vínculo de confiança com ele, não o contrate, continue procurando. E nunca, nunca mesmo, delegue em pessoas de fora da empresa a decisão final sobre as sugestões fornecidas pelos especialistas contratados. Se não estiver convencido, questione, questione e questione até se convencer, ou não, de que o sugerido vai lhe trazer benefícios.
Feito, agora já tenho a fórmula do sucesso !!!!!

ENGANO SEU !!!! No mundo dos negócios não há garantias. O risco sempre existe. Mesmo fazendo tudo certo, o negócio pode dar errado. Fazer as coisas certas aumenta a suas chances de que o negócio dê certo. Mas, não garante que vai dar certo. Seja bem vindo à vida e à dura realidade do empreendedor ! E, como sempre, boa sorte !

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