sábado, 25 de agosto de 2018

Um pouco sobre política e o voto

Um pouco sobre política e o voto
Por Cristian Welsh Miguens – 24 de agosto de 2018
Há diversas formas de interpretar o que seja “a política”.
Tem-se, por exemplo, “a política de qualidade da empresa”. Neste caso, política significa uma série de regras e orientações que tem por objetivo facilitar o trabalho de todos os funcionários, especialmente quando eles devem tomar decisões, pois eles sabem que tais decisões devem seguir as regras e orientações da tal “política de qualidade”. Chamo a atenção para o termo decisão. Pode-se inferir que se trata de “grandes decisões”. Neste caso estamos falando também de pequenas decisões, do tipo “como comprimento um cliente que acabou de entrar na loja?” ou “como embrulho uma mercadoria que um cliente acabou de comprar?”. Todas as nossas ações no trabalho envolvem decisões constantes e estas são orientadas pelas tais “políticas”
O termo política também é usado no sentido de que “nós devemos ser políticos ao falar com ... ”. Neste caso, política significa ser cuidadoso na escolha de palavras e no que é que eu vou dizer a determinadas pessoas. Aqui há muita confusão na interpretação. Toda vez que se conversa com alguém ou com um grupo de pessoas, se deseja transmitir uma mensagem. Tomar cuidado na escolha das palavras para ser corretamente compreendido evitando ofender ou de alguma forma dar margem a interpretações diferentes daquela que de fato se deseja transmitir é totalmente diferente de mentir ou enganar para obter um determinado resultado. Isto último é a deturpação da política. Lamentavelmente esta última forma de interpretar “nós devemos ser políticos ao falar com ..... ”  é a interpretação que mais se percebe empregada pelas pessoas.
Já “a política” é o ambiente e as relações que surgem nesse ambiente, que envolvem os representantes que nos governam. Em geral, nas democracias, estamos falando de pessoas dos poderes Executivo (de executar, fazer as coisas acontecer) e Legislativo (legislar, criar leis e regras que orientem o comportamento das pessoas em sociedade), ou seja, pessoas eleitas por meio do voto com o objetivo de agirem em representação das pessoas (o povo). Tais pessoas são chamadas de políticos.
Os políticos, por atuar em representação do povo, deveriam estar dispostos a sempre agir conforme alguns critérios básicos:
a)     Como as suas ações geram normas e “políticas” que impactam e interferem na ação e nas decisões que as pessoas tomam individualmente, as soluções desenvolvidas pelos políticos deveriam interferir o mínimo possível na vida das pessoas. Afinal de contas, ninguém gosta que outros tomem decisões por eles ou lhes sejam impostas restrições ao exercício da própria liberdade. Invadir a ceara da decisão individual o mínimo possível deveria ser preocupação permanente dos políticos;
b)    Deveriam sempre desenvolver soluções “gerais”, sem privilegiar ninguém em particular;
c)     Nunca devem por os próprios interesses pessoais à frente dos interesses dos seus representados;
d)    O trabalho exige negociação permanente. Negociar significa reconhecer que nem todos concordam comigo, que nem todos tem o mesmo objetivo e que, portanto, devo estar preparado a ceder algo para poder chegar a um acordo. O respeito mútuo é indispensável.
Em uma democracia não há soluções possíveis sem política e sem políticos. Por mais desacreditados que os nossos políticos estejam, deve-se reconhecer que, se eles não atendem às nossas expectativas, a culpa é nossa em primeiro lugar e somente depois é deles. Afinal de contas nós os escolhemos.
O mais inacreditável de toda esta história é que distorcemos em nossas mentes o que o político deveria ser. Exige-se dele que “nos beneficie” e a partir disso pretendemos que ele consiga alguns “privilégios” para nós.
Como é que um político deveria raciocinar ao legislar ou ao administrar algum órgão do executivo? Este é o tema central deste artigo na medida em que sugere um mecanismo de avaliar o discurso dos diversos políticos em épocas de eleição.
Qualquer coisa que exija que seja desenvolvida uma solução, chamaremos daqui em diante, de “problema”. Então, a primeira coisa a ser feita é definir corretamente o problema. A maior dificuldade aqui é não confundir “sintomas” com a verdadeira causa. Um problema se manifesta gerando sintomas. Resolver apenas o sintoma nem sempre resolve o problema. Um problema mal definido necessariamente gerará soluções erradas e consequentemente desperdício de recursos.
Com o problema bem definido, deve-se então empenhar esforços para fazer um diagnóstico. Um diagnóstico é o resultado de uma pesquisa e a respectiva análise das possíveis causas do problema. Fazer um bom diagnóstico requer ter conhecimentos e competências específicas com a questão que se deseja diagnosticar. Novamente, fazer um diagnóstico errado gerará soluções erradas e consequentemente desperdício de recursos.
Com o diagnóstico em mãos deve-se começar a procurar a solução do problema. Nem sempre será possível propor a solução ideal, pois esta pode não ser a melhor solução para as condições particulares do problema. Pode faltar dinheiro, domínio da tecnologia, não ter a disposição pessoas devidamente preparadas ou então diversos outros motivos que limitem o tipo de solução a ser adotada. Uma solução equivocada gerará soluções erradas e consequentemente desperdício de recursos.
Com a solução escolhida em mãos só está resolvido “o que” deve ser feito. Falta definir “como” será aplicada a solução escolhida. O “como“ envolve planejar. Quais serão as etapas, quem fará cada etapa, quantas pessoas serão necessárias para executar cada etapa, qual a qualificação dessas pessoas, como se fará a comunicação do que deve ser feito, que outros recursos serão necessários em cada etapa, quanto custará e assim por diante. Também se deve definir uma meta e uma ou várias formas de medir se a execução da solução está acontecendo de acordo com o planejado e se a meta está sendo atingida. Uma solução com um mal planejamento gerará soluções erradas e consequentemente desperdício de recursos.
Agora que já se possui “o que” e “como”, deve-se executar. A execução envolve controlar se a solução escolhida está sendo executada conforme planejado e se os resultados que se esperam em cada etapa da implantação de fato estão acontecendo. A avaliação dos resultados exige que se tomem decisões e correções de rumo (ações corretivas) e para tanto deve ter pessoas qualificadas e com a autoridade suficiente para tomar essas decisões rapidamente para não comprometer os resultados. Uma execução mal feita não permitirá que a solução escolhida seja aplicada corretamente e consequentemente gerará desperdício de recursos.
Como podemos observar diariamente e dentro do escopo do discutido acima, um dos sérios problemas do Estado Brasileiro, por causa dos seus governantes e dos políticos que elegemos, em função da sua mediocridade, desfaçatez e desonestidade, é que os recursos a disposição deles e que são retirados da sociedade na forma de taxas e impostos são consistente e sistematicamente desperdiçados ao se definir o problema de forma errada, ao diagnosticar confundindo sintomas com causas, ao planejar sem definir corretamente as alternativas e ao executar sem definir metas nem controlar adequadamente a execução de acordo com tais metas.
Na vida real, quando os políticos propõem soluções para a segurança pública, a educação, a saúde pública ou qualquer outro problema, misturam todos estes conceitos. São discutidas possíveis soluções sem ter definido previamente qual é o problema (por exemplo, dizer que a segurança pública é um problema não é suficiente, é necessário definir quais os aspectos da segurança pública que são o problema) nem especificar um diagnóstico (quais as verdadeiras causas do problema). Poucos investem esforços em descrever como conseguirão executar a solução proposta. As propostas de solução então ficam vazias.
Nas críticas ao que já foi feito pelos adversários, não se fala sobre onde é que se errou, se na identificação do problema, se no diagnóstico feito, se na solução escolhida ou ainda se a execução se deu de forma errada. Misturam-se tudo e todo, muitas vezes de forma proposital.
Um dos motivos que nos leva a adotarmos o sistema de partidos políticos é que estes deveriam definir programas de governo onde estas questões sejam desenvolvidas e propostas de forma pública. Seus filiados e candidatos deveriam comprometer-se com tais programas e a população deveria acompanhar se de fato há empenho em executar tal programa. A realidade é que a maior parte dos programas de governo dos partidos limita-se a uma declaração de intenções do que a desenvolver respostas detalhadas aos grandes problemas nacionais. Também é verdade que a população, desinteressada, não controla nem exige esta coerência dos políticos.
Não basta querer resolver os problemas. É necessário também ter competência para identificar, diagnosticar, propor soluções viáveis e implantar tais soluções, prestando contas dos resultados obtidos.
Diante de um eventual candidato a um cargo legislativo ou do executivo, o eleitor deveria poder fazer perguntas que lhe permitam identificar se estão de acordo com a análise e a proposta do candidato para determinado problema, qual o seu diagnóstico, que soluções propõe e como as implantará. Como o eleitor não tem oportunidade de questionar isto diretamente caberia aos jornalistas e à mídia em geral fazer estes questionamentos. O que verificamos é que também aqui comprovamos a mediocridade e eventualmente até o conluio destes profissionais com políticos desonestos.
Cabe a cada um de nós tomarmos a decisão de se deixaremos sermos enganados por propostas vazias o se tentaremos, empregando os meios a seu alcance, pesquisar profundamente tentando identificar tais detalhes, questionando quando possível e tomado uma decisão eleitoral consciente.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Reflexões Sobre o Emprego


Reflexões sobre o emprego
Por: Cristian Welsh Miguens
15/08/2018

Há muita gente apreensiva e gerando um clima de incerteza generalizado por causa da destruição de empregos. Há motivos para tanto alvoroço?
O assunto é especialmente sensível, pois se refere aos mecanismos de sobrevivência das famílias. Por esse mesmo motivo, faz parte do discurso político de demagogos e populistas. Vamos tentar então fugir do lugar comum.
Em primeiro lugar, não sei se repararam, mas não está sendo usada a palavra “redução” ou “falta” de empregos, mas o termo “destruição”. Embora o efeito seja similar, falta de emprego para as pessoas ter renda para sustentar a família, as pessoas estão acostumadas aos ciclos de aumento e redução de empregos acompanhando a evolução do desempenho da economia do país. Já a nova forma de se referir à falta de emprego, a “destruição” de empregos, remete os nossos cérebros a imaginar que uma vez que determinados empregos foram destruídos, eles não retornarão mais. Estamos mesmo diante desta situação?
Sem dúvida que um dos motivos do desemprego no Brasil é a baixa atividade econômica. Não passamos por uma recessão do tamanho da Brasileira (em torno de 10% de redução acumulada de 2013 para cá) sem pagar o preço em empregos. Se fossemos uma economia mais aberta e sem um “salário mínimo”, que distorce as relações de emprego, o desemprego causado pela queda de atividade econômica poderia ter um impacto bem menor, com o ajuste então acontecendo por meio da redução do valor médio do salário.
Também devemos levar em consideração que outra parcela do desemprego total é uma taxa estrutural, reflexo da rotatividade de empregos e do tempo que demora uma pessoa que perde o emprego para iniciar-se em outro. Essa taxa para o Brasil oscila entre 4 e 5%.
A realidade Brasileira indica também que a maior parte da taxa de desemprego, que gira em torno de 13%, se deve a estes dois motivos. Entretanto, diversos meios de comunicação e imprensa abordam o tema dando a entender que a “destruição” de empregos se deve ao aumento do uso da tecnologia, à robotização, ao uso da Inteligência Artificial (AI), enfim, à tecnologia aplicada que estaria “destruindo” empregos enquanto esta situação estaria demandando mão-de-obra mais qualificada, da qual não dispomos, projetando cenários de catástrofe para o futuro próximo.
A realidade Brasileira também indica que estamos longe deste cenário. O cenário que devemos projetar é de negócios com baixa produtividade e baixa competitividade. Isto sim. O grau de informatização e de automação, tanto na indústria como no setor de serviços, é tão baixo que o uso de tecnologia ainda não trará reflexos no desemprego. O baixo grau de concorrência da nossa economia, devido à proteção e intervenção do Estado, não propicia o uso intensivo da TI para melhorar a competitividade. Investimentos nesta área são vistos pelos empresários como “despesas” que devem ser evitadas em momento de crise e não como investimentos a serem realizados procurando melhorar a produtividade e a competitividade.
Mesmo assim, me chamou a atenção a divulgação de pesquisa recente feita pelo SPC Brasil e a CNDC, revelando que quase dois terços da população Brasileira está recorrendo a bicos para poder sobreviver. Soma-se a este tipo de pesquisa outras que apontam que o aumento de empreendimentos novos (startups) se explicam pela necessidade dos empreendedores de procurar novas fontes de renda em função das dificuldades de acharem novas oportunidades de emprego. Estes dados podem sim ser indicativos de uma mudança, já esperada, na natureza e na forma das relações de emprego.
A terceirização, o emprego temporário, e outras formas de relacionamento trabalhista, já contempladas na Reforma Trabalhista em vigor, são mecanismos sob os quais está desenvolvendo-se uma mecânica de contratação e execução de atividades comerciais promovida em grande medida pela utilização de smartfones, internet e APPs. A lógica de contratação em que um salário era pago em troca do tempo disponibilizado pelo empregado ao empregador, regulamentado em lei (44 horas semanais), dá lugar à contratação por resultados por tempo determinado (trabalho por demanda). Esta é uma mudança e tanto que, se e quando difundida de forma profunda e ampla na sociedade, trará enormes resultados e benefícios, com melhorias de produtividade acentuadas. A meritocracia está encontrando uma forma de fugir da tutela do Estado e, sem amarras, então produzir e ser remunerado de acordo com as próprias competências e de forma proporcional aos resultados obtidos.
É claro que as pessoas que desejam preservar o “status quo” (governo, sindicatos, empregados públicos e os medíocres de plantão) vão espernear e tergiversar com argumentos cuja única finalidade é a preservação de privilégios a determinadas “castas” contempladas pelos donos do poder.
Há ainda mais um fator a destacar com relação às opiniões referentes à destruição de empregos. Toda vez que se fala em aumento de produtividade surge a frase, ou parecida, que “ ... há um custo social decorrente, a perda de empregos”. Estes analistas “esquecem” que o aumento de atividade econômica promovida pelo aumento de produtividade e o desenvolvimento, emprego e comercialização da tecnologia aplicada em cada caso, criam novos empregos, no comércio, na indústria e nas áreas de prestação de serviços, que nunca são contabilizados nessas horas.
As pesquisas sobre o emprego e os diagnósticos decorrentes da análise de tais pesquisas não levam em consideração ainda estes fenômenos, portanto, não sabemos até que ponto este novo “ambiente trabalhista” esteja alastrando-se no mercado. Aos estrategistas, tanto aqueles ligados ao poder público quanto aqueles que decidem os rumos dos negócios no setor privado, cabe agora se debruçar em dados disponíveis para levar ou não em consideração esta nova hipótese, sob o risco de errarem calamitosamente as suas projeções baseadas em premissas relacionadas com o emprego.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Reflexões sobre a Indústria 4.0

Reflexões sobre a Indústria 4.0
23 de julho de 2018
Por Cristian Welsh Miguens

O termo indústria 4.0 teve origem na Feira de Hannover, Alemanha, em 2011. Trata-se de uma lógica de produção que engloba inovações nos campos da automação, controle e tecnologia da informação a serem aplicadas de modo integrado aos processos de manufatura.
Aprofundando um pouco mais a questão da tecnologia que embaça este conceito, as tecnologias que alteram fundamentalmente a forma de produzir, de fazer negócios e de consumir são a velha e conhecida automação industrial, a mobilidade, fornecida pelo acesso à internet pelos dispositivos móveis (smartphones), o M2M (comunicação machine to machine – a capacidade de máquinas e equipamentos de “conversar” entre si sem a intervenção humana) e a Inteligência Artificial. Há mais uma tecnologia que ainda não se incorporou maciçamente à Indústria 4.0, mas já se mostra relevante em algumas indústrias de forma pontual: a impressão 3D.
A mudança gera medo e preocupações, muitas vezes justificadas. Entretanto este medo pode levar a uma supervalorização das avaliações sobre os impactos negativos no ordenamento social. Neste momento, a maior preocupação pública, se levarmos em consideração os artigos e publicações que proliferam sobre esta questão, são dois: a destruição de empregos e a capacitação das pessoas para desenvolver as novas competências requeridas para lidar com as novas tecnologias. Nada muito diferente do que aconteceu no início da Revolução Industrial.
A Indústria 4.0 é benvinda. O uso e o aproveitamento ao máximo das novas tecnologias permite gerar riqueza, na forma de melhoria da produtividade, ao consumir menos recursos de mão-de-obra, conseguir produzir mais rápido e com menos desperdícios de materiais e de tempo. Como toda inovação deste tipo gerará inicialmente desemprego. Se for permitido às forças de mercado agir livremente, em pouco tempo este aumento de produtividade gerará nova demanda que permitirá que o desemprego diminua rapidamente.
A maior fonte de melhoria de produtividade, entretanto não se encontra nesta “redução de custo” da mão-de-obra envolvida na produção de bens, mas na liberação de capacidade pensante para desenvolver e acrescer a oferta de novos e melhores serviços, explorando as oportunidades fornecidas pelo acesso a estas novas tecnologias. Este fenômeno já foi vivenciado em tempos recentes por ocasião da automação de escritórios (décadas de 70 e 80), pelo processamento distribuído e as redes de informação gerando a proliferação de programas de gestão integrada nas empresas (ERP, CRM, WMS, etc.) (no fim dos anos 80 e nos anos 90) e a internet com o desenvolvimento e o impacto das mídias sociais.
Não é por acaso então que entre 70 e 75% do PIB mundial hoje em dia se concentra no setor de serviços. A primordial fonte de geração de riqueza na atualidade deixou de ser a produção de bens, mas a produção de serviços por meio do uso do conhecimento acumulado e compartilhado promovido pelas novas tecnologias de informação e comunicação.
Também é natural que a tecnologia representada pela Indústria 4.0 tenha seus impactos mais relevantes naqueles países em que a “pirâmide demográfica” tem sofrido alterações profundas, com uma redução de população geral e mais ainda com uma redução da população economicamente ativa. Houve nestas sociedades uma necessidade de substituir o trabalho humano pelo trabalho das máquinas. As oportunidades para este desenvolvimento surgiram naturalmente. Não é por acaso também que são estas sociedades as que geram oportunidades para imigrantes dispostos a, inicialmente, executar as atividades e tarefas que requerem menos qualificações e que gerarão, uma ou duas gerações depois, novos cidadãos aptos e qualificados, promovendo a devida ascensão social.
O Brasil não corre o risco inerente à implantação desta lógica de produção, pois nem a infraestrutura necessária para o seu funcionamento tem. Alguns exemplos: baixíssima velocidade das redes de banda larga; impossibilidade de instalação de novas antenas e ERBs para atender o aumento do fluxo de dados, devido a questões regulatórias e ambientais; impostos escorchantes que inviabilizam os investimentos; ação sindical que trava a substituição de mão-de-obra por máquinas; etc.
Estamos então condenados à desindustrialização e a forçar a população a financiar um custo elevadíssimo para ter acesso aos bens que gostaria de ter, o que significa que a distância que nos separa das sociedades mais desenvolvidas não só não será reduzida, mas se alargará.
Isto não é uma declaração pessimista. Isto é a constatação de que a nossa sociedade ainda não está disposta a fazer o que precisa para virar a mesa e iniciar o seu crescimento e progresso sustentável. Vivemos presos a conceitos e ideologias ultrapassadas que, em teoria “defendem a dignidade humana”, mas que tem como consequência e efeito a perda da “dignidade humana”. Ao invés de valorizar o ser humano e fazer das diferenças um estímulo para o progresso geral, menosprezamos a capacidade dos indivíduos e então, sob o argumento de que não serão capazes de defender-se, os submetemos à tutela do Estado. O resultado é a nossa realidade. Se for isto o que você quer, então vamos continuar a dar murro em ponta de faca e procurar novos culpados para a nossa própria incompetência.
E para aqueles que vislumbram apenas cenários catastrofistas decorrentes do “império das máquinas” tornando as pessoas em uma espécie de “escravos” das máquinas, o que está acontecendo é que as pessoas, seus cérebros, seus conhecimentos são cada vez mais importantes no desenvolvimento de soluções que promovem o progresso. Ao invés de o ser humano perder relevância na construção do progresso vejo exatamente o contrário: as pessoas e os indivíduos, cada indivíduo, pode e faz cada vez mais a diferença.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Como administrar uma startup para que dê o resultado esperado?

As pistas de que sua startup não terá o resultado esperado?

O seguinte artigo teve origem numa dúvida encaminhada por um leitor para a redação da EXAME.COM: Como administrar uma startup para que dê o resultado esperado?
http://exame.abril.com.br/pme/pistas-sua-startup-nao-tera-resultado/
Editado por Mariana Desidério, de EXAME.com - Publicado em 18 de Outubro de 2016

Por Cristian Welsh Miguens – Univ. Anhembi Morumbi para EXAME.com

Antes de responder a pergunta, vamos ver quais os motivos pelos quais uma startup pode não apresentar o resultado esperado.
a)    Ausência de planejamento;
b)    Planejamento mal feito;
c)    Implementação do Planejamento mal executado;
d)    Acreditar que o Plano não precisa de alterações na medida em que vai sendo implantado e executado.
Da lista acima concluímos que a primeira questão é planejar de forma adequada. Em geral temos uma ideia errada do que seja planejamento. Um bom Plano nos ajuda a não perder de vista os objetivos e metas e os meios para atingi-los. Obriga a fazer um exercício mental sobre todos os detalhes do negócio.
O Planejamento engessa as decisões apenas se o empreendedor permitir. Se se verifica algum erro, se mudam as premissas, se aparece um fato novo, é preciso mudar o plano e ajustar as ações para adequar o negócio e a execução do plano à realidade. Este ciclo, o de planejar, definir um plano de ação, executar o plano, verificar se ele se desenvolve conforme esperado, corrigir o plano e reiniciar o ciclo é a metodologia PDCA (Plan, Do, Check, Action). Pode obter mais detalhes consultando na internet Métodos de Análise e Solução de Problemas (MASP). A metodologia é simples e de fácil compreensão. Já a sua execução, requer muita disciplina.
Um erro comum cometido na gestão da startup é o de esquecer e deixar de ouvir o cliente. Permita o cliente (ou o potencial cliente) a lhe ajudar ouvindo as queixas e sugestões. Incentive-o a permanentemente ficar em contato com a empresa. Desenvolva mecanismos que facilitem esse contato. Vai se surpreender com a qualidade e boa vontade das pessoas para lhe ajudar a resolver os problemas da empresa e, ainda, de graça!!!!
O outro erro comum e esquecer-se que você terá concorrentes e que eles não ficarão quietos observando o seu sucesso. Tente sempre antecipar-se. Inclua nas premissas que servirão de base aos seus planos que a cada ação diferenciada sua haverá algum tipo de reação dos concorrentes. Planeje como os enfrentará. Durante a execução, monitore os concorrentes e as suas ações. Então, mais uma vez adeque o plano.
Nenhum empreendedor precisa ser um especialista em administração. Mas os problemas de administrativos e de gestão, muitas vezes, precisam de especialistas. Empreendedores em geral conhecem muito bem o produto e o seu mercado. Mas tem enormes problemas com a administração geral do negócio, com a administração de pessoas, com a aplicação e o cumprimento da legislação e, muitas vezes, com a gestão financeira. Deixe o orgulho de lado e peça ajuda. Se acreditar que seu negócio não comporta pagar por esse tipo de ajuda, sugira pagar por resultado. Não seja ganancioso, compartilhe o resultado da criação de valor do seu negócio com quem lhe ajuda a gerar esse valor.
E, se for solicitar ajuda, lembre que o barato sai caro. Procure profissionais competentes. Solicite deles boas referencias. Procure contato com quem já se utilizou dos serviços desse profissional. Se você não consegue desenvolver um vínculo de confiança com ele, não o contrate, continue procurando. E nunca, nunca mesmo, delegue em pessoas de fora da empresa a decisão final sobre as sugestões fornecidas pelos especialistas contratados. Se não estiver convencido, questione, questione e questione até se convencer, ou não, de que o sugerido vai lhe trazer benefícios.
Feito, agora já tenho a fórmula do sucesso !!!!!

ENGANO SEU !!!! No mundo dos negócios não há garantias. O risco sempre existe. Mesmo fazendo tudo certo, o negócio pode dar errado. Fazer as coisas certas aumenta a suas chances de que o negócio dê certo. Mas, não garante que vai dar certo. Seja bem vindo à vida e à dura realidade do empreendedor ! E, como sempre, boa sorte !

Mais sobre Empreendedorismo, Negócios e Economia em https://criswelmig.blogspot.com 

sábado, 28 de janeiro de 2017

Como saber a hora certa para abrir o seu negócio?

Como saber a hora propícia para iniciar a startup?

O seguinte artigo teve origem numa dúvida encaminhada por um leitor para a redação da EXAME.COM: Como saber a hora propícia para iniciar a startup?
Publicado em 03 de outubro de 2016 – Editado por Mariana Desidério

São Paulo, 05 de setembro de 2016

Por Cristian Welsh Miguens – UAM para EXAME.com

Responder esta pergunta é como responder a pergunta “Como saber quando você está pronto para casar?”. Meu conselho é: siga seu instinto. Nem sempre dá certo. Entretanto, certamente, é possível tomar alguns cuidados para diminuir a chance de erro e “ajudar” o instinto.
Considere que, em geral, não gostamos e desprezamos a importância de planejarmos as nossas ações. Se for só na intuição, há grandes chances de fracassar e de perder bastante dinheiro. Então, planeje! Do jeito que você souber, mas, planeje! Seguem alguns conselhos.
Primeiro é necessário estar convicto que a ideia – ou seja, o produto ou serviço a oferecer ao mercado – tenha procura suficiente ou que a demanda existente não esteja sendo atendida. Em outras palavras, tenha certeza de que há pessoas suficientes que desejem comprar o seu produto ou serviço. Em geral, estas condições estão entre as que caracterizam uma inovação.
Para melhorar o seu grau de certeza, pesquise o mercado. Se puder, construa um protótipo e teste os consumidores iniciando a venda de forma restrita. Ao faze-lo, fomente o feedback – comentários - dos consumidores, ouça e registre as opiniões e introduza as modificações sugeridas no protótipo. Repita o processo até ficar satisfeito. Se quiser saber mais sobre este processo, pesquise na internet sobre o Lean Startup.
Em segundo lugar, entre as ações objetivas a serem realizadas, construa um Plano de Negócio (PN). Há muita literatura disponível sobre construção de Planos de Negócio. A construção do PN lhe obrigará a pesquisar dados e informações sobre o produto e sobre o mercado. Se bem construído, vai mostrar a você o real potencial financeiro da ideia e lhe fornecerá uma percepção do tamanho da empreitada que está prestes a assumir. O principal conselho que posso fornecer é que o construa com bases realistas, ou seja, seja sincero consigo mesmo e evite o caminho de, por medo de enfrentar a realidade, fechar os olhos às armadilhas e potenciais problemas que a pesquisa vai lhe revelar.
Em terceiro lugar, O MAIS IMPORTANTE ! Vou me remeter ao primeiro parágrafo. A decisão a tomar é como a de se perguntar se é chegada a hora de casar. Volte e releia o primeiro parágrafo. Agora reflita: depois de analisar o que pode ser analisado racionalmente, ainda estou apaixonado pela ideia? Sem paixão não há motivação para superar as dificuldades que certamente aparecerão. Mesmo que desta vez o seu negócio eventualmente não dê certo, sem paixão você não encontrará forças para se reerguer. Lembre que a maior parte dos empreendedores de sucesso, tiveram antes uma série de insucessos. Tenho essa força de vontade? Tenho esse espírito de superação?
Só você tem a resposta. Boa sorte!

Mais sobre empreendedorismo e negócios no meu blog: https://criswelmig.blogspot.com  

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

A Escola Austriaca – Protagonismo do Estado vs. Protagonismo da Sociedade

A Escola Austriaca – Protagonismo do Estado vs. Protagonismo da Sociedade
Por Cristian Welsh Miguens ( https://criswelmig.blogspot.com ) – 20/08/2016

Este artigo tenta mostrar por que os esforços para melhorar a competitividade, especialmente no Brasil, requerem compreender melhor os conceitos defendidos pela Escola Austríaca de Economia, convencidos que estamos que devolver à sociedade, especialmente aos indivíduos, o seu devido protagonismo, em substituição ao protagonismo do Estado, característica atual, é imprescindível para a retomada do progresso sustentado.

§  Visão Histórica – o surgimento da Escola Austríaca
Os séculos XVIII e XIX representam historicamente os que marcaram uma transformação na sociedade. Esta transformação é comumente associada à Revolução Industrial. Esta Revolução por sua vez, é rotineiramente explicada como sendo fruto do desenvolvimento tecnológico decorrente da disseminação do conhecimento propiciado pela invenção da imprensa no século XV.
Todo este período, que teve início na Renascença, possui identificação ideológica com os princípios defendidos pela Escola Austríaca. Carl Menger (1840 – 1921) é considerado o fundador desta Escola. Seus discípulos foram Böhm-Bawerk (1851 – 1914), Ludwig Von Misses (1881 – 1973) e Friederich Hayek (1889 – 1992). A inspiração inicial pode ser identificada nos notáveis teóricos que foram os membros da Escola de Salamanca do Século de Ouro espanhol.
Sob uma perspectiva sócio-económica, para Hayek “.. a civilização construída pelo homem moderno a partir da Renascença era, acima de tudo, uma civilização individualista. O individualismo, que a partir de elementos fornecidos pelo cristianismo e pela filosofia da antiguidade clássica pôde desenvolver-se pela primeira vez em sua forma plena durante a Renascença e desde então evoluiu e penetrou na chamada civilização ocidental, tendo como característica essencial o respeito pelo indivíduo como ser humano, isto é, o reconhecimento da supremacia de suas preferências e opiniões na esfera individual, por mais limitada que esta possa ser, e a convicção de que é desejável que os indivíduos desenvolvam dotes e inclinações pessoais.”
Foi uma época essencial para a evolução da civilização ocidental com base em princípios que posteriormente se materializaram nas Constituições de diversos países, tais como liberdade, respeito à propriedade privada e liberdade de expressão.
§  O Socialismo e seu impacto na vida moderna
Já no fim do século XIX e no início do século XX a sociedade foi afastando-se progressivamente das ideias básicas sobre as quais se erguera a civilização ocidental, gerando, por um lado, as ideias defendidas a partir de Adam Smith pelos economistas neoclássicos, e por outro, as ideias socialistas que geraram os regimes fascistas e comunistas, ou seja, os totalitarismos que se manifestaram inicialmente na Rusia, Alemanha e Itália, provocando duas guerras mundiais, a guerra fria, a guerra da Coreia, a guerra do Vietnã as tentativas de tomada do poder por meio do terrorismo na Europa e na América Latina a partir do fim da década de 60 até os anos80. Mesmo após a queda do muro de Berlim, o socialismo continua gerando regimes totalitários e guerras. Os regimes nos países árabes, no oriente médio e os regimes como os de Irã, Iraque, Afeganistão, Paquistão e Síria, têm como gênese a intolerância, em contraposição à tolerância que reina nos países onde o individualismo e a liberdade preponderam. Mesmo nestes países, aos poucos foi sendo abandonada aquela liberdade de ação econômica sem a qual a liberdade política e social jamais existiu no passado.
O individualismo tem hoje uma conotação negativa e passou a ser associado ao egoísmo. Mas o individualismo a que nos referimos, em oposição ao socialismo e a todas as outras formas de coletivismo, não está necessariamente relacionado a tal acepção. Está intimamente ligado ao que esta Escola do pensamento denomina a Função Empresarial.
§  A Função Empresarial
O exercício da função empresarial acontece quando qualquer pessoa atua modificando o presente para conseguir os seus objetivos no futuro. Em suma, empresa é sinônimo de ação e atitude empreendedora que consiste em continuamente tentar procurar, descobrir ou criar novos fins e meios ou basicamente em descobrir e avaliar as oportunidades de conseguir algum benefício ou lucro levando em conta as circunstâncias do seu meio ambiente, agindo de modo a aproveitá-las.
Quer dizer que nós agimos sempre como empresários e que este termo não fica restrito apenas àqueles que são proprietários de uma empresa. Agimos desta forma tanto como produtores quanto como consumidores.
Toda vez que se descobrem ou criam novos meios e/ou fins há uma modificação do conhecimento do empresário, que passa a possuir uma nova informação que antes não tinha.
Para melhor compreensão, segue um trecho do livro A Escola Austríaca, de Jesus Huerta de Soto (2ª Edição - Instituto Ludwig von Mises Brasil – 2010): “Para os austríacos, a economia está integrada dentro de uma ciência muito mais geral e ampla, uma teoria da ação humana (e não da decisão ou escolha humanas defendida pelos economistas neoclássicos).” Para a Escola Austríaca “ .. a Ciência Econômica constrói-se partindo sempre do ser humano real de carne e osso, considerado como agente criativo e protagonista de todos os processos sociais. As restrições em economia não são impostas por fenômenos objetivos ou fatores materiais do mundo exterior (por exemplo, as reservas de petróleo), mas antes pelo conhecimento humano de tipo empresarial (a descoberta de um carburador que conseguisse duplicar a eficiência dos motores de explosão teria o mesmo efeito econômico que uma duplicação do total de reservas físicas de petróleo). Por isso, para a Escola Austríaca, a produção não é um fato físico natural e externo, sendo antes, pelo contrário, um fenômeno intelectual e espiritual (Mises, 1995: 169).”
Ainda conforme Jesus Huerta de Soto na mencionada obra: “O ato empresarial consiste basicamente em criar ou transmitir nova informação que forçosamente há de modificar a percepção geral de objetivos e de meios de todos os agentes implicados na sociedade. O problema econômico fundamental que se coloca na Escola Austríaca consiste em estudar o processo dinâmico de coordenação social no qual os diferentes seres humanos geram empresarialmente e de forma continuada nova informação (que, portanto, jamais está “dada”, como pressupõem os economistas neoclássicos) ao procurar os fins e os meios que consideram relevantes no contexto de cada ação em que participam, estabelecendo dessa maneira, sem se darem conta, um processo espontâneo de coordenação.”
§  O moderno Protagonismo do Estado
As democracias representativas modernas se desenvolveram a partir da Revolução Francesa e da Independência Americana ao longo do século XIX. Como já mencionamos, foi a liberdade de ação econômica que permeia o desenvolvimento da liberdade política e social daquela época.
Isto provoca uma aceleração no crescimento populacional. Em 1800 a população mundial era estimada em 1 bilhão de pessoas. Em 1900, 1.65 bilhões e em 2000 pouco mais de 6 bilhões. É possível que este crescimento tenha tido influência na evolução do pensamento econômico e no rumo que as democracias representativas tomaram nos séculos XX e XXI? O fato é que neste período, mesmo em regimes democráticos, os Estados, por meio dos respectivos governos, aumentam rapidamente a sua ingerência na vida das pessoas. Os regimes sustentados nos princípios da liberdade individual e da igualdade de oportunidades se transformam em regimes baseados nos princípios da garantia de direitos a que todo indivíduo a princípio teria que usufruir, com o Estado como garantidor de tais direitos.
A partir da crise dos anos 30, as teorias Keynesianas, que têm no Estado o pivô para o desenvolvimento, se alastram. A eficácia obtida pelo exercício da função empresarial da escola austríaca é substituída por uma pretensa racionalidade que otimizaria os meios para conseguir determinados fins pelo exercício da decisão tomada por uns poucos, os governantes.
A massa de indivíduos, seduzida por promessas de bem-estar social, geralmente atingida pela concessão discricionária de privilégios, acaba renunciando, pouco a pouco, a sua liberdade e simultaneamente transferindo a sua responsabilidade para o Estado. A premissa básica, geralmente inconsciente, que leva a esta situação, é a de que a sociedade evoluiu de tal forma que: em primeiro lugar, todos têm direito a usufruir determinada condição de vida; a seguir, que esta condição não exige deles qualquer obrigação que lhes permita contribuir para a manutenção de tal condição e; por último, que é dever do Estado lhes garantir tal condição. E os políticos, que em geral suportam as suas ideias nas teorias coletivistas socializantes, acreditam que isto seja possível e seduzem os indivíduos com a promessa de realização de tais propósitos.
Deixemos claro que partimos do pressuposto de que todos desejam o melhor para os indivíduos e para o desenvolvimento da sociedade, mesmo não sendo estritamente verdadeiro pois há pessoas que conscientemente prometem o que sabem que não será entregue. Isolando este fato do contexto geral, o que está em discussão é a eficácia dos meios escolhidos para atingir determinados fins. Por exemplo, todos os que experimentamos viver ao longo de períodos inflacionários já temos consciência dos efeitos nefastos da inflação. Tem aqueles que, de forma simplista, acham que é só implementar um controle de preços para acabar com ela. A história demonstra que este não é um meio eficaz de controlar a inflação. Aquilo que parece óbvio, impedir pelo uso da autoridade e do controle administrativo o aumento de preços, tem-se demonstrado não ser um meio eficaz para o controle da inflação.
O fato é que num mundo cada vez mais complexo, os mecanismos eficazes para lidar com determinadas situações e eventos em pequenos grupos sociais não funcionam em grupos maiores. As relações se multiplicam, os dados e informações fluem dentro da sociedade com velocidade nunca antes vista, os fatores que influenciam o resultado também se multiplicam e o grau de complexidade aumenta então exponencialmente. Com o passar do tempo, com o desenvolvimento tecnológico e com o tamanho das sociedades (povoados, cidades, empresas, etc.) o mundo do complexo toma conta. Entretanto, a arrogância do ser humano lhe impede reconhecer os motivos pelos quais ações racionalmente adotadas para produzir determinados resultados produzem resultados inesperados e não desejados, muitas vezes opostos àqueles procurados.
§  O Protagonismo da sociedade como promotor eficaz de progresso em sociedades complexas
Protagonismo da sociedade significa permitir que as pessoas exerçam a Função Empresarial com o mínimo de interferências.
Em termos de funcionamento prático destes princípios, o que afeta o deslocamento do protagonismo da sociedade para protagonismo do estado é a discussão sobre o que seria considerado interferência mínima no exercício da Função Empresarial.
Esta discussão sofre um segundo deslocamento e começa a concentrar-se não mais no que seria mínima interferência para a da interferência necessária para ter efetivo controle do processo dinâmico de coordenação social. Parte-se então do pressuposto que há necessidade de delegação de poder ao Estado para que o processo de coordenação social possa ser controlado de forma a fornecer eficácia à alocação de recursos, ou seja, à melhor escolha de meios e fins.
Cabe mencionar que nas empresas acontece o mesmo fenômeno, o que se traduz em modelos de gestão baseados no poder e controle, nitidamente inadequados para atender às necessidades da sociedade nos dias de hoje.
A partir disto, poder e o controle do Estado sobre as interações sociais são os princípios que regem a vida em sociedade, o que significa poder e controle de uns poucos privilegiados sobre a maioria dos indivíduos. Deixou-se de confiar na capacidade dos indivíduos de serem capazes de exercerem a Função Empresarial sem a tutela do Estado. O paradoxo é que, nas sociedades democráticas, são as escolhas dos indivíduos que permitem o aumento desta concentração de poder e a consequente ingerência do Estado na vida dos indivíduos. Seduzidos pelas promessas de bem estar social, os indivíduos entregam ao Estado parte das suas responsabilidades e do controle sobre as próprias decisões em troca de supostos benefícios decorrentes de direitos que supostamente lhes outorgariam melhores condições de vida.
Com o aumento do grau de complexidade nas interações sociais (incluindo os processos de geração de riqueza), surgem evidências legítimas da perda de eficiência e eficácia dos processos que surgiram na sociedade descrita acima. Elas se manifestam da seguinte forma: a) queda do crescimento econômico (interrupção do processo de geração de riqueza) que novos regulamentos e intervenções do Estado não conseguem resolver; b) novos modelos de negócio, que recuperam a Função Empresarial dos indivíduos, demonstram que este é o meio eficaz de geração de riqueza mas que são combatidos ferozmente pelo “establishment”.
Entendo então que seja necessário um esforço concentrado para tornar possível a recuperação da eficácia dos processos de geração de riqueza que se originam no exercício da Função Empresarial por parte dos indivíduos, com uma mínima interferência do Estado. Este esforço exige uma comunicação eficiente com a sociedade levando-a a refletir sobre o papel que cabe aos indivíduos e ao Estado.
A comunicação é necessária para conscientizar, por meio da reflexão provocada, que a necessária coordenação social que leva ao progresso por meio da geração de riqueza pode ser obtida sem a interferência excessiva do Estado.
A comunicação é também necessária para conseguir, por meio das instituições democráticas, retirar do Estado, e dos indivíduos que o controlam hoje, verdadeiros privilegiados, boa parte do excessivo poder que eles possuem hoje e que, naturalmente, se resistirão a entregar.
Quem quiser se aprofundar nestes conceitos, recomendo e listo a seguir uma série de livros que tratam deste assunto.

MISSES, Ludwig von  Ação Humana – Um Ttratado de Economia – 3ª Edição São Paulo: Instituto Ludwig von Misses, 2010 – Download em pdf: http://www.mises.org.br/files/literature/A%C3%A7%C3%A3o%20Humana%20-%20WEB.pdf
MISSES, Ludwig von  As Seis Lições – 7ª Edição São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2009 – Download em pdf: http://www.mises.org.br/files/literature/As%20Seis%20Li%C3%A7%C3%B5es%20MISES.pdf
HAYEK, F. A.  O Caminho da Servidão – 6ª Edição São Paulo: Instituto Ludwig von Misses, 2010 - Download em pdf: http://ffn-brasil.org.br/novo/PDF-ex/Publicacoes/Caminho_Servidao.pdf
HAYEK, F. A.  Direito, legislação e liberdade: uma nova formulação dos princípios liberais de justiça e economia politica – Volumes I, Normas e Ordem São Paulo: Editora Visão, 1985 - Download em pdf: http://www.libertarianismo.org/livros/fahdllvol1.pdf
HAYEK, F. A.  Direito, legislação e liberdade: uma nova formulação dos princípios liberais de justiça e economia politica – Volumes II A Miragem da Justiça Social  São Paulo: Editora Visão, 1985 - Download em pdf: http://www.libertarianismo.org/livros/fahdllvol2.pdf
HAYEK, F. A.  Direito, legislação e liberdade: uma nova formulação dos princípios liberais de justiça e economia politica – Volumes III, A Ordem Política de um Povo Livre  São Paulo: Editora Visão, 1985 - Download em pdf: http://www.libertarianismo.org/livros/fahdllvol3.pdf
HAYEK, F. A.  A Arrogância Fatal: Os Erros do Socialismo  –São Paulo: IEE, 1995 - Download em pdf: http://www.libertarianismo.org/livros/fahaarroganciafatal.pdf
HAYEK, F. A.  Os Fundamentos da Liberdade – São Paulo: Editora Visão, 1983 - Download em pdf: http://www.libertarianismo.org/livros/fahofdl.pdf
SOTO, Jesus Huerta de  A Escola Austríaca – 2ª Edição São Paulo: Instituto Ludwig von Misses, 2010 – Download em pdf: http://www.mises.org.br/files/literature/Escola%20Austr%C3%ADaca%20-%20Mercado%20e%20criatividade%20empresarial%20-%20WEB.pdf 
HAYEK, F. A.  Desestatizacao do Dinheiro - Uma análise da Teoria e Prática das Moedas Simultâneas – São Paulo : Instituto Ludwig von Mises. Brasil, 2011 - Download em pdf: http://www.mises.org.br/files/literature/Desestatiza%C3%A7%C3%A3o%20do%20dinheiro.pdf
MICKLETHWAIT, John; WOOLDRIDGE, Adrian  A Quarta Revolução - A Corrida Global para Reinventar o Estado – Editora D.QUIXOTE

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

De quanto dinheiro eu preciso para iniciar uma startup?

O seguinte artigo teve origem numa dúvida encaminhada por um leitor para a redação da EXAME.COM: Qual o capital inicial necessário para iniciar uma startup?

http://exame.abril.com.br/pme/noticias/os-tipos-de-negocio-que-mais-crescem-hoje-em-dia

Editado por Mariana Desidério, de EXAME.com - Publicado em 15 de Setembro de 2016


São Paulo, 17 de agosto de 2016
Por Cristian Welsh Miguens – UAM para EXAME.com
De quanto dinheiro eu preciso para iniciar uma startup?

Qual o capital inicial necessário para iniciar o negócio? A resposta óbvia é que depende do negócio.
Primeiro é necessário esclarecer a diferença entre capital inicial e capital social.
Capital inicial é o montante necessário para se constituir e iniciar as atividades de uma nova empresa enquanto esta não gera recursos suficientes para se sustentar. Em outras palavras, é a quantidade de recursos financeiros que o empreendimento precisará até que atinja uma situação em que ela consiga “andar com os próprios pés” sem depender de dinheiro adicional de fora da empresa.
Algumas pessoas usam aquela definição também para o capital social, dando a entender que são sinônimos. Eu prefiro a seguinte definição para o capital social: é o valor correspondente à contra-partida do titular, sócios ou acionistas de um empreendimento, para o início ou a manutenção dos negócios e deverá constar no documento de constituição empresarial. Em outras palavras, é a soma da quantidade de dinheiro que cada sócio aportará ao negócio.
Para alguns tipos de negócio há exigências legais de capital social mínimo. Por outro lado, se o seu negócio envolve participar de concorrências públicas e/ou privadas, nos respectivos editais há geralmente exigências de capital social mínimo.
De todo isto o que realmente interessa destacar é que capital social é capital inicial são conceitos relacionados mas não necessariamente iguais. Para saber mais sobre o capital social necessário para iniciar o seu negócio, aconselho sempre consultar ou um bom contador ou um bom advogado antes de fazer o registro da sua empresa.
Vamos nos concentrar então no capital inicial e qual o valor necessário para iniciar um negócio. Este valor precisa ser calculado e exige um exercício de projeção de receitas, custos e despesas.
Ou seja, em primeiro lugar, é necessário esclarecer que ninguém conseguirá garantir que o capital inicial que tenha calculado de fato será suficiente para financiar as atividades da empresa até o ponto em que ela gere um fluxo de caixa positivo.
A seguir, veja que destaquei o “fluxo de caixa” e não o lucro. O que de fato interessa para este cálculo é uma projeção mês a mês das entradas e saídas de recursos financeiros.
Em terceiro lugar, deve também considerar os investimentos iniciais, ou seja, em português claro, todo o dinheiro que será necessário gastar antes que entre um único real no caixa da empresa.
Para tanto deverá ter disciplina, ter paciência e fazer muita pesquisa.
Escreva em um papel as premissas que usará para projetar as receitas. Em outras palavras: o que é que o leva a pensar que conseguirá vender (e receber de seus clientes) os volumes que está estimando mês a mês?
Também escreva num papel as premissas que usará para projetar custos e despesas. Ou seja, novamente, o que é que o leva a pensar que gastará o que está projetando gastar? Com base em que dados?
Liste todos os itens que gerarão receita e despesa (incluindo os itens de investimento como móveis, computadores, máquinas, alugueis que terão que ser pagos antes de começar a vender, etc.) e comece a calcular, com base nas premissas adotadas, qual é o valor projetado para cada item desta lista e para cada mês durante os primeiros anos de atividades da empresa.
Faça a soma mês a mês de receitas e despesas e calcule o saldo. O normal é que nos primeiros meses o saldo seja negativo ou seja, que as despesas sejam maiores que as despesas. Quando o saldo começar a ficar positivo, some todos os saldos negativos e terá então o valor de capital inicial estimado, ou seja, a quantidade de dinheiro que terá que aportar ao negócio até o momento em que o próprio negócio gere mais receitas do que despesas.
É altamente recomendável fazer estas projeções seguindo um critério otimista, um critério neutro e um critério pessimista. Desta forma estará se obrigando a considerar que nem sempre as coisas acontecem como a gente espera.
Em caso de dúvidas ou se se sentir inseguro para realizar estas projeções, não duvide em procurar pessoas que possam lhe ajudar. A alternativa é fazer este exercício “nas coxas” e depois de algum tempo descobrir que não tem dinheiro suficiente para continuar com o negócio depois de ter gasto todo o seu dinheiro disponível. Aí já é tarde e o seu dinheiro foi embora.



Sócio Diretor da IRON Consultoria